- Por que o TJ2.1 existe?
- Como implementar o TJ2.1 na prática
- Adote uma política por escrito
- Remova as perguntas sobre histórico salarial de todos os processos
- Treine a equipe de Recursos Humanos (RH) e os gestores responsáveis pelas contratações
- Baseie as ofertas nas estruturas salariais internas
- Prepare evidências para o B Impact e para a auditoria
Introdução
Este artigo ajudará você a entender o porquê do requisito TJ2.1 dos Padrões V2 do B Lab, que exige que as empresas não solicitem históricos salariais dos candidatos a vagas de emprego.
Por que o TJ2.1 existe?
O TJ2.1 exige que as empresas tenham uma política de não solicitar históricos salariais dos candidatos a vagas de emprego. Isso contribui para um dos objetivos do Tópico de Impacto de Trabalho Justo (Fair Work Impact Topic), que é “promover a transparência salarial” e ajudar a eliminar as disparidades salariais.
A solicitação de históricos salariais gera preocupações porque:
Vincula as ofertas salariais a possíveis discriminações anteriores
Se um candidato recebeu um salário inferior no passado devido a gênero, raça, status migratório ou outro tipo de viés, usar seu salário anterior como referência aumenta a probabilidade de que ele continue recebendo menos no futuro. O TJ2 trata explicitamente da identificação e eliminação das disparidades salariais, especialmente das diferenças salariais entre gêneros.
Prejudica a definição justa de salários com base na função
O TJ2 espera que as empresas expliquem como os salários são definidos e quais benefícios os trabalhadores têm direito a receber, respaldando essas informações com faixas salariais e análises estruturadas (por exemplo, análise da diferença salarial entre gêneros e do salário digno dos funcionários com menor remuneração). Vincular as ofertas salariais à remuneração anterior, em vez de utilizar as faixas salariais internas, enfraquece essa lógica.
Reforça a assimetria de informações e reduz a transparência
O Tópico de Impacto de Trabalho Justo enfatiza que práticas salariais justas devem permitir que os trabalhadores “compreendam sua remuneração e seus direitos e possam responsabilizar seu empregador por práticas salariais justas e equitativas.” Quando o empregador utiliza informações salariais anteriores e privadas, isso aumenta o desequilíbrio de poder e dificulta que o candidato avalie se a oferta é justa.
Em resumo, o TJ2.1 é um dos mecanismos que apoiam a estrutura mais ampla de Salários Justos (faixas salariais, análise da diferença salarial entre gêneros, salário digno etc.), ao exigir que as empresas baseiem as decisões de remuneração na função e em sua própria estrutura, e não no histórico salarial do candidato.
Como implementar o TJ2.1 na prática
Os Padrões esperam uma política clara, bem como evidências de que ela é implementada na prática de recrutamento.
Adote uma política por escrito
O guia de documentação especifica que as evidências incluem um “documento de política, procedimento ou manual que confirme o compromisso” de não solicitar históricos salariais dos candidatos a vagas de emprego e que contemple os pontos de conformidade do TJ2.1.
Na prática, sua empresa deve:
Adicione uma cláusula à sua política ou procedimento de recrutamento, ou ao manual de contratação, estabelecendo que a empresa não solicita nem utiliza informações sobre salários anteriores em nenhuma etapa do processo de recrutamento.
Garanta que a política se aplique a todos os canais relevantes (contratações diretas, mobilidade interna, quando aplicável).
Remova as perguntas sobre histórico salarial de todos os processos
Para alinhar a prática à política, sua empresa deve remover sistematicamente qualquer solicitação de informações sobre salários anteriores de:
Formulários de candidatura a vagas e sistemas de acompanhamento de candidatos.
Roteiros ou guias de entrevistas e triagem utilizados pelo RH e pelos gestores responsáveis pela contratação.
Modelos padrão de e-mails enviados aos candidatos e recrutadores externos.
Treine a equipe de Recursos Humanos (RH) e os gestores responsáveis pelas contratações
A documentação de Trabalho Justo espera que as empresas demonstrem como comunicam informações e políticas relacionadas à remuneração aos “trabalhadores relevantes” e aos funcionários. Portanto, as empresas devem:
Explique por que os históricos salariais não são solicitados (relacionando isso a salários justos e à igualdade salarial) nos treinamentos de RH e dos gestores responsáveis pelas contratações.
Inclua a política do TJ2.1 no processo de integração de qualquer pessoa envolvida em recrutamento.
Esclareça que, caso sejam discutidas expectativas salariais, elas devem ser tratadas com uma perspectiva futura (por exemplo, faixa salarial esperada) e baseadas nas faixas e níveis salariais da empresa, e não na remuneração anterior.
? Dicas: Perguntar sobre a remuneração desejada
Perguntar sobre a remuneração desejada é aceitável, mas somente depois que a empresa comunicar a faixa ou o nível salarial aplicável.
Isso garante que as discussões salariais sejam transparentes, justas e voltadas para o futuro, em vez de perpetuarem desigualdades anteriores.
Baseie as ofertas nas estruturas salariais internas
Como o TJ2 inclui requisitos relacionados a faixas salariais, mensuração da diferença salarial entre gêneros e ações relacionadas ao salário digno para os funcionários com menor remuneração — que variam de acordo com o porte da empresa —, as empresas devem adaptar essas ferramentas e utilizá-las como base para as ofertas salariais:
Utilize faixas salariais e níveis salariais definidos com base nas funções para determinar a faixa de remuneração.
Verifique se a oferta está de acordo com as práticas salariais existentes, como um acordo coletivo de trabalho.
Revise periodicamente as ofertas aceitas por gênero e outras dimensões relevantes para garantir que a política esteja efetivamente reduzindo as disparidades, em linha com as expectativas mais amplas do TJ2 de compreender e abordar as diferenças salariais entre gêneros.
Prepare evidências para o B Impact e para a auditoria
De acordo com o TJ2.1, os auditores normalmente buscarão:
A política, manual ou procedimento que declare explicitamente que a empresa não solicita históricos salariais.
Capturas de tela ou modelos (formulários de candidatura, telas do ATS, roteiros de entrevistas) que demonstrem que o histórico salarial não é solicitado.
Registros de comunicação aos funcionários relevantes (por exemplo, e-mail da equipe de RH, comunicado na intranet, material de treinamento).
Entrevistas com funcionários envolvidos no recrutamento para confirmar que, na prática, eles não solicitam nem utilizam históricos salariais.
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