ESC 3.1: Como medir e compreender o fluxo de entrada de materiais

Modificado em Ter, 7 Abr na (o) 10:21 AM


Introdução

Quando sua empresa utiliza produtos físicos ou embalagens, conhecer os materiais que entram nas operações é o primeiro passo para adotar práticas mais circulares. O ESC 3.1, do tópico Environmental Stewardship & Circularity, solicita que as empresas acompanhem os materiais utilizados, a fim de reduzir o uso de materiais virgens e não renováveis e, assim, diminuir a pressão sobre os recursos naturais.

Este artigo explica por que medir o fluxo de materiais é importante, descreve os requisitos do ESC 3.1 e detalha como realizar essa medição.


Por que o fluxo de materiais é importante

Fluxo de materiais” refere-se às matérias-primas, componentes e embalagens que a empresa adquire para produzir seus produtos ou serviços. Esses materiais estão no núcleo de toda atividade econômica, mas frequentemente são negligenciados.

Compreender o fluxo de materiais é fundamental para avançar na construção de uma economia inclusiva, equitativa e sustentável. Ele permite entender a dependência da empresa sobre recursos naturais e os impactos associados à sua sustentabilidade. Nesse sentido, utilizar materiais renováveis provenientes de fontes sustentáveis contribui para reduzir a pressão e os impactos sobre os recursos naturais relacionados às atividades da empresa.

O que o ESC 3.1 exige

O ESC 3.1 exige que empresas de grande, extra grande ou XX grande porte em todos os setores — exceto Serviços com Pegada Menor — forneçam uma visão geral dos indicadores de fluxo de materiais, tanto para produtos quanto para embalagens, incluindo:

  • Peso total (em toneladas) dos materiais de entrada utilizados em produtos e embalagens.

  • Peso e percentual de materiais de entrada renováveis provenientes de fontes sustentáveis verificadas por terceiros (produtos e embalagens).

  • Peso e percentual de materiais reutilizados ou reciclados (não virgens) usados em produtos e embalagens.

O requisito se aplica ao ano fiscal anterior ao Ano 0 e a cada ano subsequente. Abrange produtos que a empresa produz ou faz produzir em seu nome. Produtos revendidos podem ser isentos em operações de atacado ou varejo, e empresas de serviços só precisam cumprir se comercializarem produtos físicos e controlarem sua produção.

Observe que, segundo a Risk Profile Tool da B Lab, uma pergunta sobre o uso de produtos plásticos de uso único e embalagens feitas de materiais virgens não renováveis (FR3.1.e) pode acionar o requisito ESC 3.1 para outros portes e setores.

Os padrões da B Lab exigem que os seguintes materiais sejam incluídos na visão geral:

  • Matérias-primas — recursos naturais convertidos em produtos ou serviços, como minérios, minerais e madeira. Matérias-primas não incluem água, que é tratada no ESC 1.3.

  • Materiais de processo associados — materiais utilizados no processo de fabricação, mas que não fazem parte do produto final, como lubrificantes e fluidos de resfriamento.

  • Bens semi acabados ou peças — todos os tipos de materiais e componentes que não são matérias-primas, mas fazem parte do produto final.

  • Materiais de embalagem — incluindo papel, papelão e plásticos. O foco é nas embalagens primária e secundária, mas há flexibilidade; se a legislação impedir a implementação de princípios de design circular nessas embalagens, a empresa pode optar por focar na embalagem terciária.

Como medir e documentar o fluxo de materiais 

  1. Confirmar aplicabilidade no B Impact

    • Complete o Risk Profile da B Lab e verifique se o requisito ESC 3.1 aparece na lista de exigências para o Ano 0.

  2. Definir o escopo de produtos e embalagens

    • Liste todos os produtos que a empresa produz ou faz produzir em seu nome (excluindo itens apenas revendidos, quando aplicável).

    • Para cada linha de produto, liste as embalagens associadas (primária, secundária e, se relevante, terciária).

  3. Configurar o monitoramento do fluxo de materiais

    • Trabalhe com as áreas de compras, operações ou finanças para coletar dados anuais (em toneladas) a partir de planilhas internas, plataformas de compras ou sistemas ERP.

    • Para cada categoria de produto e embalagem, registre:

      • Peso total do material de entrada

      • Peso e percentual de materiais renováveis provenientes de fontes sustentáveis verificadas por terceiros

      • Peso e percentual de materiais reutilizados ou reciclados (não virgens)

  4. Armazenar e atualizar a visão geral anual

    • Mantenha um arquivo consolidado que separe claramente produtos e embalagens.

    • Atualize pelo menos uma vez por ano fiscal, cobrindo sempre o ano anterior e os anos subsequentes exigidos para o ciclo de auditoria.

  5. Carregar evidências no B Impact

    • Em ESC 3.1 no B Impact, faça o upload da visão geral mais recente do fluxo de materiais e de qualquer documentação de suporte, como relatórios de certificação ou certificados de fornecedores. 

Resumo

ESC 3.1 trata de conhecer a linha de base de materiais da sua empresa: quanto material é utilizado e qual a proporção que é renovável, reciclada ou reutilizada, tanto em produtos quanto em embalagens. Esses dados servem como base para atender aos requisitos posteriores, que visam reduzir o uso de materiais virgens não renováveis e aumentar a circularidade nas operações.


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